
Ser uma pessoa bem relacionada e influente como eu tem lá suas vantagens. Mais ainda porque sou médium vidente e audiente, meus caros leitores. Esta sensibilidade a mais me dá uma espécie de cartão vip para freqüentar festas fechadas no além-túmulo. Tenho muitos conhecidos lá, pessoas com quem convivi em épocas áureas da minha vida. Um destes queridos amigos é o Cha-cha. Ah, sim, para quem não é íntimo como eu, saiba que estou me referindo a Charles Chaplin. Bem, Chaplin dispensa apresentações.
Ele me recebeu para tomar um chá com biscoitos em seu castelo de veraneio em Glasgow, na Escócia. Sim, minha gente, a imensa construção medieval é assombrada por Charles Chaplin. Mas ele me garante que prega apenas peças inocentes nos turistas, nada muito assustador. Bem a cara de Chaplin. Ele me contou que certa vez, um dos visitantes também era médium e conseguiu vê-lo, tal não foi sua surpresa. Afinal, não é sempre que se vê um morto ilustre como esse assombrando por aí, não é mesmo? Feitas as apresentações, os dois começaram a dançar juntos a música "Umbrella", da Rihana.
Pois é. Estas novidades chegam lá do outro lado e Chaplin é um cara pra lá de antenado - não é por acaso que somos amigos. Aliás, voltando à nossa amizade. Nós nos conhecemos em Paris, no outono de 1956. Ele tinha ido à cidade para comprar botinas novas, pois as suas já estavam gastas, mas não conhecia ninguém que soubesse indicá-lo a um bom sapateiro. Um amigo que temos em comum, o duque de Bourgoignon, me apresentou a ele e eu o levei a uma de minhas maison de couture favoritas. Nossa amizade durou até o dia de sua morte e perdura ainda hoje, dada a minha facilidade de comunicação com os mortos. Bem, chega de rememorar o passado. Cha-cha me recebeu com seu robe de chambre usual e pantufas de gatinho. Disse-me, um pouco chateado, que as de elefante, suas preferidas, estavam na lavanderia do além. Sim, lá também é preciso mandar as roupas para a lavanderia. Confira a nossa conversa.
Então quer dizer que você gosta da Rihana?
Na verdade, eu não diria que sou um aficcionado por ela. Sou mais um curioso, sabe? Aquelas curvas, ah, aquelas curvas! (suspiro) Mas, falando sobre a música dela, ouço direto porque gosto de sacolejar ao som de "Umbrella" com meus patins. Inventei até uma dancinha legal, sente só. (Neste momento, Chaplin se levanta de sua poltrona à Luis XV, pega um guarda-chuva que estava encostado na lareira, calça os patins no pé, liga o som no volume máximo e sai fazendo piruetas de balé misturadas com passos de hip hop pelo chão de mármore, imitando também a dancinha de "Cantando na Chuva" com a maior destreza desse mundo.)
Cha-cha, por quem você está esperando loucamente que desencarne?
Ah, sabe, essa é uma pergunta difícil de responder porque tenho vários amigos ainda vivos. Mas, apenas pra citar duas pessoas, ano passado eu fiquei nas nuvens - literalmente, né? - quando a Dercy Gonçalves finalmente desencarnou. Ela é um barato! Não me dá sossego o dia inteiro. A gente sempre vai nas festinhas lá embaixo (refere-se ao Inferno), escondidos, é claro. E o melhor é que é tudo na faixa! Um cara que eu não vejo a hora de encontrar por aqui é o Woody Allen. Apesar de não entender muito as piadas dele, eu rio à beça com aquela cara de paspalho que ele faz.
É de se espantar que você diga não entender as piadas de Woody Allen, logo você...
Ele me recebeu para tomar um chá com biscoitos em seu castelo de veraneio em Glasgow, na Escócia. Sim, minha gente, a imensa construção medieval é assombrada por Charles Chaplin. Mas ele me garante que prega apenas peças inocentes nos turistas, nada muito assustador. Bem a cara de Chaplin. Ele me contou que certa vez, um dos visitantes também era médium e conseguiu vê-lo, tal não foi sua surpresa. Afinal, não é sempre que se vê um morto ilustre como esse assombrando por aí, não é mesmo? Feitas as apresentações, os dois começaram a dançar juntos a música "Umbrella", da Rihana.
Pois é. Estas novidades chegam lá do outro lado e Chaplin é um cara pra lá de antenado - não é por acaso que somos amigos. Aliás, voltando à nossa amizade. Nós nos conhecemos em Paris, no outono de 1956. Ele tinha ido à cidade para comprar botinas novas, pois as suas já estavam gastas, mas não conhecia ninguém que soubesse indicá-lo a um bom sapateiro. Um amigo que temos em comum, o duque de Bourgoignon, me apresentou a ele e eu o levei a uma de minhas maison de couture favoritas. Nossa amizade durou até o dia de sua morte e perdura ainda hoje, dada a minha facilidade de comunicação com os mortos. Bem, chega de rememorar o passado. Cha-cha me recebeu com seu robe de chambre usual e pantufas de gatinho. Disse-me, um pouco chateado, que as de elefante, suas preferidas, estavam na lavanderia do além. Sim, lá também é preciso mandar as roupas para a lavanderia. Confira a nossa conversa.
Então quer dizer que você gosta da Rihana?
Na verdade, eu não diria que sou um aficcionado por ela. Sou mais um curioso, sabe? Aquelas curvas, ah, aquelas curvas! (suspiro) Mas, falando sobre a música dela, ouço direto porque gosto de sacolejar ao som de "Umbrella" com meus patins. Inventei até uma dancinha legal, sente só. (Neste momento, Chaplin se levanta de sua poltrona à Luis XV, pega um guarda-chuva que estava encostado na lareira, calça os patins no pé, liga o som no volume máximo e sai fazendo piruetas de balé misturadas com passos de hip hop pelo chão de mármore, imitando também a dancinha de "Cantando na Chuva" com a maior destreza desse mundo.)
Cha-cha, por quem você está esperando loucamente que desencarne?
Ah, sabe, essa é uma pergunta difícil de responder porque tenho vários amigos ainda vivos. Mas, apenas pra citar duas pessoas, ano passado eu fiquei nas nuvens - literalmente, né? - quando a Dercy Gonçalves finalmente desencarnou. Ela é um barato! Não me dá sossego o dia inteiro. A gente sempre vai nas festinhas lá embaixo (refere-se ao Inferno), escondidos, é claro. E o melhor é que é tudo na faixa! Um cara que eu não vejo a hora de encontrar por aqui é o Woody Allen. Apesar de não entender muito as piadas dele, eu rio à beça com aquela cara de paspalho que ele faz.
É de se espantar que você diga não entender as piadas de Woody Allen, logo você...
Na verdade eu até entendo, mas assisto aos filmes dele mais pela Scarlet Johansson, que me lembra muito minha ex-namorada Marilyn (referindo-se a Marilyn Monroe). Acredita que ela continua sem falar comigo? Isso me deixa muito chateado às vezes. Tanto que outro dia decidi alugar um filme do Woody Allen em que a Scarlet não tem nenhum papel. Aí sim eu entendi várias sacadas do filme.
E de que parte do filme você gostou mais?
Sabe que antes disso eu não tinha percebido a genialidade do Woody? Tem uma cena no filme em que ele está caminhando pelo parque com o discípulo dele e me solta essa pérola aqui: "Sabe, Fredy (não sei se era realmente esse o nome do cara), de nada me serviu a Física Quântica depois que a inventaram. Essa história de que tempo e espaço é tudo a mesma coisa só complica a minha vida. Por exemplo. Se um dia, estando atrasado, eu perguntar as horas pra alguém e o cara me responder que 'são seis quilômetros', o que é que eu vou fazer com essa informação?"
Risos...
Depois disso, fiquei pensando e cheguei à conclusão de que o Woody estava certo. Fui direto esclarecer a coisa com o Einstein, inventor da Física Quântica. Ele me disse que depois que passou pro lado de cá não quer mais saber dessa história. Afinal, ele desperdiçou a encarnação dele inteira tentando decifrar o tempo e agora que tem a possibilidade de fazer viagens ao passado e ao futuro não precisa mais ficar pensando muito no assunto. Apenas compra seu bilhete de trem e de vez em quando vai dar umas voltinhas na Roma de Nero ou na China de Genghis Khan pra ver como estão as coisas. Isso sim é muito mais divertido do que ficar inventando um monte de equações matemáticas pros físicos atuais quebrarem a cabeça.
Não é que Chaplin tem razão?
E de que parte do filme você gostou mais?
Sabe que antes disso eu não tinha percebido a genialidade do Woody? Tem uma cena no filme em que ele está caminhando pelo parque com o discípulo dele e me solta essa pérola aqui: "Sabe, Fredy (não sei se era realmente esse o nome do cara), de nada me serviu a Física Quântica depois que a inventaram. Essa história de que tempo e espaço é tudo a mesma coisa só complica a minha vida. Por exemplo. Se um dia, estando atrasado, eu perguntar as horas pra alguém e o cara me responder que 'são seis quilômetros', o que é que eu vou fazer com essa informação?"
Risos...
Depois disso, fiquei pensando e cheguei à conclusão de que o Woody estava certo. Fui direto esclarecer a coisa com o Einstein, inventor da Física Quântica. Ele me disse que depois que passou pro lado de cá não quer mais saber dessa história. Afinal, ele desperdiçou a encarnação dele inteira tentando decifrar o tempo e agora que tem a possibilidade de fazer viagens ao passado e ao futuro não precisa mais ficar pensando muito no assunto. Apenas compra seu bilhete de trem e de vez em quando vai dar umas voltinhas na Roma de Nero ou na China de Genghis Khan pra ver como estão as coisas. Isso sim é muito mais divertido do que ficar inventando um monte de equações matemáticas pros físicos atuais quebrarem a cabeça.
Não é que Chaplin tem razão?

Nenhum comentário:
Postar um comentário